Faz um tempo que estou com essa música na cabeça… A autoria é do Barbatuques, um grupo musical brasileiro de percussão corporal.
O trabalho deles é fantástico, há uma pesquisa de diversos ritmos e muita experimentação. A música em questão faz parte do album chamado “Do Corpo ao Som” e se trata de uma Embolada.
Quando tentei encontrar a letra na internet, achei apenas a primeira metade, cuja autoria é creditada à Manezinho Araújo.
Alguns sites de letras como o Vagalume até possuiam uma versão contendo a segunda metade, mas francamente. Fico suspeitando que aquilo é uma versão enviada pelo Maicow Nite. Ainda bem que eles não deixam a gente copiar a letra. Assim isso não se espalha.
Enfim, obcecado pela musica tentei desvendar a letra e sinto que foi como montar um quebra-cabeças de poesia. Foi necessário um mergulho em outra cultura, riquissima por sinal. ( E me lembrou bastante a vez que fiquei vidrado na Balada de Tamlin, depois de ouvir uma peça executada pela Melbourne Scottish Fiddle Club. )
Bem, aí vai. Não está completa, mas vou atualizando conforme descobrir algo novo. Quem souber de alguma mande…
Percebi que muitas rimas presentes são tradicionais em emboladas, e modificadas conforme a região ou artista. Uma boa referência é o site Jangada Brasil, especialmente o link com a matéria com as Emboladas de Zé Menino.
Have Fun.
O Canto da Ema - Pra onde vai, valente?
Pra onde vai, valente?
Vou pra linha de frente
Tava na venda
C’a pistola e um cravinote
Muleque deu um pinote
Me chamou mode brigá.
Pego no meu punhá
Enfio a faca, o sangue pula
Moleque você não bula
Com Mané do Arraiá.
Veio um sordado
C’um boné arrevirado
Com dois oio abuticado
Que só cachorro do má.
Botou-me a mão
Home disse você tá preso
E eu fiquei c’um braço teso
Na cara lhe quis passá.
Pra vadiá
Eu sou caboco bom na briga
Mas só gosto da intriga
Quando encontro especiá.
Dedo do Cão
Moleque bom no gatilho
Se coçou, eu vi o brilho
Atirou pra me pegá.
Ele me atira
Eu me baxo e a bala passa
E fico achando graça
Do baque que a bala dá.
(até aqui, creditos a Manézinho Araújo)
Pra onde vai, valente?
Vou pra linha de frente.
Saracoteia
Bate o bumbo e o ganzá
Repica sino da aldeia
Meio dia vai rezá
Muié se ajueia
Pede a nossa senhora
Que home nao vá se embora
Se nao vai dificultá
Pois é que a vida
Tá ficando muito cara
Home agora é coisa rara
Não se pode assim achá
Só bumbum (?)
A mulher e a cachaça
Num instante a gente acha
Não carece procurá
Pra onde vai, valente?
Vou pra linha de frente
Oia o danado
Miserável Zé de Lima
Tudo chora numa prima
Pra mode me conquistá
segunda terça
quarta quinta sexta e sabado
o otro bola cansado (?)
na pancada do ganzá
Oia o danado
Miserável Zé de Lima
Tudo chora numa prima
Pra mode me conquistá
Abeia ufamo
tubibura usu mirim
Boca de sirimimbuco,
jataí, aripuá
ind’ essa noite
meu cachorro acuô um bicho
Mas eu levo de capricho
minha pistola matá
(este trecho está presente também em outra música do Barbatuques, chamado “Baianá”, no album O Seguinte é Esse, que é uma adaptação de ”Boa Tarde Povo” de Maria do Carmo Barbosa e Melo.)
Marcelinho quando canta
Muito abala mas num cai
Mulé deixa marido
filho desconhece o pai
Minino que tá chorando
Se cala num chora mais
Marcelinho quando canta
Se ouve com trinta légua
Anda feito cabra cega
(?) o seu cantá
(Marcelinho - quase certeza que se trata de Marcelo Pretto, vocalista desta música, que suspeito, nasceu com um contra-baixo no lugar de cordas vocais… Falo sério.)
Vi u’macaca (?)
(?)
(?)
mi chamô de especiá
Eu pra cantá
Comigo não quero sopa
pra cantá não mudo a ropa
No embolado sou bonzinho
Pra cantadô
que canta samba não embola
nunca pegue numa viola
na frente do Marcelinho
Pra onde vai, valente?
Vou pra linha de frente
segunda terça
quarta quinta sexta e sabado
o otro bola cansado (?)
na pancada do ganzá
Eu tenho uma prima
que é danada na corneta
Na afinada clarineta
é danada pra tocá
São João Batista
por ser bom telegrafista
Inventou fogo de vista
buscapé fogo do ar
(trecho em “Côco, Dendê, Trapiá” do album Turista Aprendiz do conjunto A Barca)
(?) burro??
carro de boi
sapo fazendo boi (?)
na lagoa do pilá
Andei dez legua
em riba de um automóvel
de chapa 49
danado pra tabicá